"VERISIMILITUDE"


"X-Men" (2000), com sua discussão política e a substituição dos famigerados colantes amarelos pelos macacões em couro, parecia ser o debut da verossimilhança nos filmes de super-heróis. O sucesso de Singer permitiu que Christopher Nolan e Jon Favreau também criassem seus "Batman" e "Homem de Ferro" verossímeis.

Quando Bryan Singer abandonou a franquia mutante para tentar provar novamente que "o homem pode voar", o diretor deixou órfão um projeto sólido para realizar uma antiga fantasia. O sonho de trabalhar com o Superman virou realidade, porém a tentativa de fazer o público acreditar no Super-Homem não vingou.

Singer não foi o primeiro na busca pela verossimilhança. Talvez o anseio por ser extremamente fiel aos Superman I e II tenha cegado Bryan a ponto desse talentoso artista não entender que muitos dos detalhes que ele resgatou de seus cânones cinematográficos inicialmente surgiram meramente por limitações técnicas. Singer acertou em escurecer o uniforme do herói, já que um tom mais escuro já havia sido previsto por Donner. Porém essa tonalidade se confundia com o chroma key utilizado no final da década de 70.

Talvez para firmar um uniforme em nylon fosse necessária a sobreposição da sunga vermelha. Mas isso não faz sentido para uma roupa mais moderna, emborrachada. Também ficou difícil acreditar que os Clark Kent e Superman de Brandon Routh fossem pessoas diferentes. Falam do quão ridículo, do quanto é óbvio o alter-ego de Kal-El. Mas conforme foi relatado por Roger Moore em sua auto-biografia, certa vez ele viu Reeve, vestido como Superman, atravessando o refeitório dos estúdios de gravação, deixando um rastro de mulheres babando pelo "herói". Em outro momento, quando Reeve fez o mesmo percurso, vestido como Clark Kent, ele não despertou a atenção de ninguém!

È possível que a verossimilhaça seja relegada a partir dos próximos filmes de super-heróis. A fase de fazer o público acreditar já passou. Agora os céticos, jovens e adultos, já estão preparados para assistir, sem tão duras críticas, às aventuras de um combo de heróis destinados a salvar o mundo de ameças cósmicas e sobrenaturais, enquanto outro grupo se prepara para também converger, tão logo o órfão de Krypton se entender, aos chutes e pontapés, com o órfão de Gotham City.

O ponto ao qual chegamos se deve muito a Richard Donner. Ele experiemntou, arriscou, e peitou os produtores de um filme que visavam lucrar a qualquer preço. Sua missão era a de nos fazer acreditar que o homem poderia voar. E para motivar sua equipe a seguir a mesma linha, pendurou em seu escritório a plaquinha que abre este post. Ilustrada nela "tremula", paradoxalmente içada por um homem que voa, a palavra "VEROSSIMILHANÇA".


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